Foodies, esses chatos

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Toda a gente gosta de comida, mas nem toda a gente gosta de comida da mesma maneira. Entre ir jantar fora ou sonhar com comida, entre seguir o Masterchef ou ter à cabeceira um livro chamado “Alface” (existe e é lindo), vai uma distância que é, frequentemente, a distância entre uma pessoa interessante e uma pessoa chata.

O pior disto é que não há nada a fazer. Ser maluquinho da comida – ou foodie ou gourmet ou gourmand – é uma doença crónica que se agrava quanto mais se come e mais se sabe sobre comida.

A minha degradação é a prova disso. Continuar a ler

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Eles são bons é nos macarons

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Uma das coisas snobs de que mais me orgulho de fazer foi a ronda parisiense do macaron. Em tempos, íamos lá todos os anos e todos os anos, enquanto fingíamos passeios culturais, testávamos as lojas e os chefs pasteleiros que nos apareciam ao caminho. Éramos quatro, cada um escolhia um, todos provavam de todos e, no fim, os melhores eram sempre os de Pierre Hermé. 

A experiência fez-me sentir feliz e gordo — e emigrante: de regresso ao nosso Portugal, tudo parecia mau em comparação com a pastelaria estrangeira, os macarons de Lisboa eram coisas de plástico, frequentemente disformes, sem estrutura, só açúcar. Entretanto, o produto melhorou por cá e eu deixei de comer macarons no Jardin du Luxembourg. 

O downsizing culminou, hoje de manhã, numa cadeia de fast food. A ideia era beber um café rápido no McDonald’s do Restelo, e só um café. Não sou dos gourmets fascinados com junk foodie. Acho os hambúrgueres uma bela bosta e, de resto, tudo me parece um condensado de gorduras, açúcares e aromas artificiais. Mas eis que no balcão estava um tabuleiro deles. E pareciam mesmo macarons e o gordinho que há em mim cedeu.

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Surpresa suprema, era excelente, uma capa fina, por baixo um acolchoado que vai cedendo devagar aos molares, no meio o doce de framboesa a saber a framboesa. Um exemplar custa 90 cêntimos, preço justíssimo.