E a melhor manteiga portuguesa é…

Esta.

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Depois de várias provas cegas com manteigas de vaca, é este o veredicto. A Uniflores é de uma intensidade insuperável. Tem 80 por cento de gordura, leva só natas batidas e bastante sal grosso mas, depois de a provarmos, as manteigas de larga distribuição parecem sensaboronas.

Em segundo lugar, ficou a Rainha do Pico, também dos Açores, e em terceiro a Marinhas, de Esposende.

Hoje de manhã, liguei para a Cooperativa Ocidental da Ilha das Flores, para lhes dar os parabéns. Atendeu-me uma senhora muito simpática, que presumo ser administrativa, mas podia ser a gerente. Sabia do que falava.

Bom dia, estou a falar do Continente.
Era para vos dar os parabéns.
A vossa manteiga é muito boa.

Muito obrigada. 

Mas queria também dizer-lhe uma coisa.
Ela é muito cara. Eu só a encontro a
mais de 5,50€.

A nossa manteiga é cara, sim…

Porque é que é tão cara?

Terá de perguntar também ao distribuidor
de Lisboa, que vende para as lojas.
Mas é uma manteiga artesanal e isso tem um custo.

O leite não vem de fora?

Não! A nossa manteiga é toda feita
com leite de vaquinhas aqui da Ilha das Flores. 
As ilhas são todas muito distantes umas das outras.
Você tem de vir cá e conhecer isto para perceber.

Vou, sim. Está prometido.

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Uma Oliveira em Algés

Blogue - Oliveira do Cerro

A ideia das mercearias gourmet passa quase sempre por vender coisas banais em embalagens caras — frascos, potes ou as cestas frou-frou que transformam uma mera compota num biblô carote.

Ora, a primeira vez que olhei para a Oliveira do Cerro pensei: mais uma. Enganei-me. A pequena loja do mercado de Algés não tem à frente um empreendedor novato com habilidades de marketeer e workshops de vinho, mas uma mulher da Madeira, que sabe mesmo de produtos regionais portugueses e explica coisas essenciais para a vida das pessoas, como por exemplo porque é que o queijo de cabra do Guilherme é diferente do queijo de cabra Queijeiro do Alentejo (o primeiro leva cardo; prefiro o segundo, já agora).

A oferta é curta mas seleccionada. Dos Açores vêm  bolos lêvedos (Furnas), queijo São Jorge com 24 meses de cura ou a extraordinária manteiga da Uniflores, por exemplo. Outra afeição é a região de Proença-a-Nova. Um produtor “amigo” traz umas painhas extraordinárias e maranhos frescos. De outra amiga, a Zélia, chegam as filhós e o bolo finto.

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Para Sul, também há opções, das empadas e pastéis de toucinho de Arraiolos ao pão de Mértola.

O meu conselho: poupe uns trocos no food court e abasteça-se nesta Oliveira do Mercado de Algés. Uma mercearia a sério.