Sobre Ricardo Dias Felner

Jornalista, adulto, com o estranho vício de levar tudo à boca.

Regresso à cachupa da Cova da Moura

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A primeira vez que lá fui tinham morto o Ângelo. O miúdo de 17 anos, cabo-verdiano, fora alvejado por um polícia, numa perseguição de carro. O bairro estava em alvoroço. Na altura, escrevi uma reportagem para o Público que procurava mostrar o bairro por dentro, depois das câmaras de televisão terem acabado os directos dos tumultos .

Estávamos em 2001. Mas, apesar do anúncio de medidas pós-incidentes, patrocinadas pelo Estado, a história haveria de se repetir. Polícias contra ladrões, sempre o jogo do rato e do gato. Mais vítimas, mais governantes com palavras bonitas, mais medidas avulsas.

Na semana passada, voltei para almoçar n’O Coqueiro, a convite do Carlos Lopes, fotógrafo, camarada, grande conhecedor profundo da topografia e de tudo. Vi menos traficantes de droga na Rua Principal, mas também menos cabeleireiros, menos comércio, só uma vendedora de rua e a banca de doces “arranhas”, feitos de coco e açúcar.

fullsizeoutput_d4bO snack-bar O Coqueiro, todavia, mantinha-se no mesmo sítio. A especialidade, antes como agora, é a cachupa, e antes como agora é Maria Patriarca, a cozinheira, quem sabe da poda. 

“Não faço refogado, uso uns condimentos meus. A panela está ao lume deste as sete da manhã”.

Eram 13.00 e chegavam à mesa umas tigelas fumegantes. A cachupa vinha com milho branco (essencial, com a sua consistência ligeiramente dura e elástica), feijão catarino, feijão pedra, entrecosto e couve. À parte, numa travessa, mais couves, batata doce e chouriço corrente. Para sobremesa, doce de papaia com queijo fresco e mousse de manga.

fullsizeoutput_d48No final do almoço, atravessámos o bairro e pude confirmar a mesma serenidade de outras visitas. Durante o dia, a Cova não passa de um monte sossegado, quase bucólico. Passámos por uma anoneira, uns metros à frente uma abacateira carregada de frutos, mulheres transportando água. Só as janelas gradeadas das casas indiciavam um submundo implacável. As vítimas? Os próprios moradores do bairro.

Godelieve Meersschaert, mais conhecida por Lieve, de origem belga, a extraordinária presidente da associação Moinho da Juventude, estava no sítio do costume, com a energia de sempre. “Ainda há muito trabalho pela frente. Há muito a fazer”, atirou, guiando-nos pela biblioteca da associação, onde também funciona a creche.

Tinha feito com ela o mesmo périplo, há uns anos, e ficara com a mesma sensação. Há uma centelha de esperança no sorriso destas crianças, nas mulheres a aprenderem a ler na casa ao lado, na persistência de Lieve, há mais de 30 anos ali a viver, ali a trabalhar por uma comunidade, longe do seu país, longe de tanta coisa.

Mas essa centelha, 16 anos depois, continua a ser uma centelha. A Cova da Moura não deixou de ser um gueto. E isso, apesar da cachupa, é triste.

 

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O Michelin da Porcalhota

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Taberna da Tia Rita. Cuidado para não bater com a cabeça à entrada.

O meu amigo José António Cerejo, apesar de oficialmente reformado, não desarma. Há dias, entre a investigação da adjudicação de uma obra e o trabalho na sua horta, deu mais um contributo para a nação.

“Descobri uma tasca do caraças. Um sítio por onde o Eça terá passado. O dono diz que ela é citada n’Os Maias. Só serve um prato por dia, ao almoço, mas tem coisas interessantes. Hoje, há caras de bacalhau”.

Horas depois estávamos no número 87 da Avenida Elias Garcia, na Amadora, lugar antigamente conhecido por Porcalhota, a chuchar o esqueleto de um gadídeo, acompanhado de vinho da pipa e azeitonas galegas.

Não existe, em todo o receituário mundial, um prato mais feio do que caras de bacalhau. Nem mesmo os chefs parecem ter conseguido estilizá-lo. Depois de cozidas, transformam-se num monte de ossos desiguais, com dentes, cartilagens, peles e parasitas (aqueles fiozinhos brancos). São mais difíceis de arrumar do que um TIR e, talvez por isso, tenham praticamente desaparecido das ementas.  

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Como é que isto se come? À mão.

Na Taberna da Tia Rita, antes de chegarem as travessas (de alumínio, claro), aparecem toalhetes a ferver, onde os clientes limpam as mãos. “Aqui fazemos sempre isto quando servimos caras de bacalhau, porque achamos que elas devem ser comidas à mão”, explicou o proprietário. E acham muito bem.

As caras do bacalhau são um petisco incomparável porque apanham as duas coisas mais saborosas em peixes e mamíferos: as bochechas e a nhanha, aquela goma que se forma junto aos ossos ou entre a carne e a pele. A confecção estava impecável. Cozidas no ponto, acompanhavam com grão e batata, cebola e salsa para polvilhar. Foram a melhor coisa que comi esta semana.

Eu e o Cerejo deixámos tudo sequinho, sequinho e prometemos voltar para correr o resto da ementa. O nosso amigo Luís Francisco, jornalista e o comentador de bola  mais educado e com o melhor cabelo, também nos acompanhou, mas optou por uns chicharros com molho à espanhola e ficou também muito feliz.

À terça-feira há sempre peixe selvagem, que o dono e os amigos pescam à cana na zona entre o Mar do Inferno e o Guincho. Pode ser pargo, besugo, cachucho, robalo. “É o que o mar der”. A mesma filosofia vale para o polvo à lagareiro, aos sábados ao almoço. Quarta, por sua vez, é dia de cabidela

A terminar as refeições, a casa oferece licor de poejo servido em “copos com malandrice”. Por enquanto, só existe a versão feminina da malandra, mas o proprietário garante que a igualdade de género vai chegar à tasca: as mulheres vão querer beber tudo até ao fim.

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Licor de poejo. Aconselha-se bebericar gentilmente, até ao fim.

A Taberna da Tia Rita foi recuperada há uns anos por um casal das Beiras. Nas paredes há capas de discos antigos, com o cancioneiro português bem representado.

Sobre a história de Eça de Queiroz ali ter estado é que parece não haver confirmação. Cerejo, como seria expectável, tratou de ir investigar. Dias depois trazia já informação fresca.

“Ao que tudo indica, a citada taberna da Porcalhota não era aqui. O que o Eça refere é a casa de pasto do Pedro dos Coelhos, que fazia um coelho famoso, mas não seria no mesmo lugar”.

Enfim, é possível que a tasca não seja do século XIX e não seja literata. O que é certo é que temos tasca. Do século XXI.

Taberna da Tia Rita. Avenida Elias Garcia, 87A, Falagueira, Amadora. Terça-Dom 8.30-20.00. 92 754 9394

 

A melhor coisa que comi esta semana: noodles chineses do 1º Andar

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Quando trabalhava nos Restauradores, tinha de ir ao Martim Moniz para conseguir almoçar por menos de 10 euros. No eixo Avenida – Chiado ou se pagava mais ou se comia trampa.

Numa dessas incursões, olhei para a fachada do edifício do supermercado Hua Ta Li e vi uns cartazes na janela do 1º Andar, que vagamente anunciavam comida. Subi e hesitei. Do lado direito residia um cabeleireiro chinês cheio de adolescentes saídos do Dragon Ball; do lado esquerdo, uma porta sem sinalética.

Como acontece com outros restaurantes clandestinos da zona, o sítio era um apartamento reconvertido. Havia uma primeira sala privada, onde estava um grupo barulhento e mais à frente a sala principal ligava com a cozinha.

Os stalkers de clandestinos — uma fauna diversificada que junta hispsters, erasmus e outras pessoas que tomam banho dia sim dia não — não tinham ainda descoberto o restaurante. Debruçados sobre grandes tigelas fumegantes, só chineses da burguesia do Martim Moniz, todos alinhados do mesmo lado das mesas, as cabeças ora enfiadas no caldo ora espreitando o televisor.

Como eles, habituei-me àquilo. Durante semanas, meses, o 1º Andar tornou-se a minha cantina, um sítio onde se comiam os melhores noodles chineses da cidade, ao mesmo tempo a que se assistia a transmissões asiáticas e radicais dos jogos sem fronteiras.

De início não foi fácil. A atender estava um brasileiro grande que era vítima de bulling por parte de um cozinheiro chinês ainda maior. O chinês punha o brasileiro a estender a massa fresca dos noodles e forçava-o a servir às mesas e a limpar as casas de banho.

Esta discriminação estendia-se à clientela. Eu e o meu amigo Rui Pita, enorme designer gráfico da Time Out, o homem mais rápido do mundo a recortar e paginar pratos de comida, fomos repetidamente vítimas de racismo. Esperávamos infinitamente pelos nossos pedidos e chegava um chinês, sentava-se, e daí a dois minutos tinha o prato à frente.

Nós protestávamos, o brasileiro lamentava, mas a comunicação com as altas instâncias era difícil. O cozinheiro não percebia ou fazia que não percebia: barafustava, depois ria-se, depois voltava a servir antes de nós todos os chineses que estivessem na sala. Foi assim sempre e nós nunca desistimos de lá ir: por uma sopa daquelas podiam-nos pôr trinta mil chineses a sorver noodles ao ouvido e a espetarem-nos pauzinhos nos olhos. Aguentávamos tudo.

Este ano, deixei praticamente de almoçar na Baixa, mas regressei ao 1º Andar na semana passada, para matar saudades. Foi tão bom outra vez. O sítio está mais compostinho e parece quase um restaurante. Agora já não há só a carta em chinês e as pessoas até podem ver fotos dos pratos, que são muitos e variados.

Para mim, todavia, nada continua a bater a sopa de massa com entrecosto. O caldo tem sabor a ossos cozidos durante horas com gengibre e alho e outras coisas aromáticas. A couve chinesa é crocante e vem acompanhada de cebolo. O entrecosto é uma peça decadente de carne assada que se pode comer à colher. A massa de trigo é preparada na casa e tem um bom equilíbrio entre firmeza e elasticidade.

Para quem já ouviu falar de ramen, trata-se de uma versão suja, bruta, barata. E às vezes é mesmo isso que queremos.

Sorvam muito.

Preço 6€ | Restaurante 1º Andar | Martim Moniz (Lisboa)

 

Saudades de Keith Floyd

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Os programas de gastronomia que passam hoje nas TV interessam-me pouco. Tirando um ou outro Bourdain antigo e cinco minutos de Masterchef Austrália, é tudo cheio de teasers e re-teasers e de receitas com atalhos e twists e uma pessoa aborrece-se.

Nesta matéria, antigamente é que era bom.

Lembrei-me disto ao ver o programa de Mary Berry, no 24 Kitchen, que não é antigo mas podia ser.  Ex-editora de revistas de culinária, Mary tem três coisas essenciais no métier: carisma, conhecimento e a BBC a produzir.

É curioso que, sendo os ingleses um dos povos que pior comida deu ao mundo, tenham sido eles quem inventou os melhores programas de gastronomia.

Há uns anos, havia um canal do cabo, de que já não me recordo o nome, que passava vários desses programas. Entre eles estava o das motoqueiras Two Fat Ladies e os do muito instrutivo Rick Stein. Mas os meus favoritos eram os de Keith Floyd.

Antes de ser uma estrela televisiva, Floyd, um dandy de lacinho e camisa fora das calças, era um chef que arruinava os restaurantes por onde passava. Um pouco à semelhança de Anthony Bourdain, fez do perfil boémio uma imagem de marca, tendo mesmo produzido uma hora de televisão só sobre comida (e bebida) para curar ressacas.

O rigor gastronómico não era o mais importante e isso pode ser constatado no brilhante episódio em que se propõe fazer um prato português, a que chama de portuguese man-at-war recipe. Mas ninguém, até hoje, conseguiu ser tão bom a falar de comida e a fazer humor em frente a uma câmara de televisão como ele.

Como em quase tudo, não há receitas secretas para o sucesso (é a minha opinião, Tia Cátia). O sucesso acontece quando se inventa a receita. Keith Floyd inventou-a. Ele foi o verdadeiro Master e a minha Tia Cátia.

 

 

 

A melhor coisa que comi esta semana: carne de porco à portuguesa d’A Castiça

Soube desta tasca no Lumiar, mesmo ao lado da Calçada de Carriche, esse ex-libris rodoviário, pelo Tiago Teixeira Cruz, espécie de relações públicas não-oficial da casa. O Tiago é um dos maiores especialistas mundiais em tascas de Lisboa e até tem um livro editado sobre o assunto. Mas no caso d’A Castiça filmou mesmo um filme, que podem ver aqui.

Fui lá num destes dias soalheiros e mal estacionei cheirou-me logo a sardinhas assadas. Vitor “Cantador” estava na grelha com uns óculos anti-fumo e eu achei aquilo muito inusitado e inteligente.

Par além das sardinhas, provei uma carne portuguesa absolutamente perfeita. Estava tudo certo, incluíndo o facto de não ter amêijoas do Vietname. As batatas fritas em cubos pequenos e estaladiços, a carne em rojões também pequenos e tenros, pickles abundantes, o molho puxadíssimo de banha, vinho branco, alho e louro. Não conheço outro país onde se faça algo do género e poucos no país já fazem assim. Comida tuga. Da boa.

Outras especialidades são as pataniscas com arroz de feijão, oleositas mas fofas e saborosas, e as iscas, finíssimas, com boa batata cozida e muito pickle de couve-flor a cortar a molhanga, um líquido bom para ensebar botas da Benedita. Não temos foto do prato porque o telemóvel extraviou-se com ela, mas temos a fachada do restaurante.

A melhor alta-cozinha do momento está num bordel

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A dada altura, o chef Guilherme Spalk empunha uma caneca das Caldas. Cada um dos dez clientes em redor do balcão estranha. Não por causa do utensílio fálico, típico das Caldas — tinham visto vários nos últimos 30 minutos — mas porque lá dentro tem “leitinho”. E “leitinho“, no final de uma refeição de alta-cozinha, parece despropositado.

Tudo brincadeira, mais uma malandrice da peça-jantar Alice no País dos Bordéis, em cena na Pensão Amor. O líquido é, afinal, um pequeno shot de leite de coco, rum e agave, excelente para nos fazer descer aos doces, apenas mais um episódio de uma peça erótico-porno-gourmet que acabaria por ser também, para minha surpresa, uma das melhores refeições do ano.

Vamos ao início. Tudo começou com um monólogo de uma antiga prostituta do Cais do Sodré, protagonizada pelo actor Francisco Beatriz, com texto de Roger Mor, sem pruridos de linguagem.

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A história passa-se num piso secreto da Pensão Amor, entalado entre o primeiro e o segundo andar, em 1962, quando por ali entravam marinheiros mas também gente do regime de Salazar. Os espectadores/comensais são meretrizes candidatas a entrar no bordel, cuja apresentação terminará com uma ceia. Ao fim de meia hora de monólogo (bem segurado, mas talvez demasiado longo), Alice dá a conhecer o restaurante do bordel e pede-lhes para “fecharem as pernas e abrirem a boca“.

Nesta altura, as “meretrizes” passam para a sala mais misteriosa do bordel, um pequeno balcão de mármore numa sala mínima e escura. Alice despede-se então e toda a gente fica nas mãos de Guilherme Spalks e da sua equipa.

A encenação mantém-se. O jovem chef (ex-Bonsai, ex-Sea Me, ex-Bocca) encarna bem o espírito e é forte na comunicação marota. O imaginário do bordel e do sexo está presente na linguagem e no menu, mas isso não força a nota, apenas cria um tema, uma história que aproxima as pessoas, faz rir e torna o ambiente num fine dining distendido.

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Fosse só isso e já não estava mal. Mas o que acontece é que a refeição foi mesmo uma das melhores que fiz no último ano, sendo que passei por uns quantos Michelin.

A servir-nos três cozinheiros e um escanção num bate-boca constante, como se fosse um bar de bairro onde todos se conhecem. Quem tinha vergonha já a perdera na peça de teatro (muito interactiva, com direito a vídeo porno vintage e mostra de dildos antigos). A única coisa que fazia corar era o espumante Blanc des Blancs de Luís Pato, mais os brancos (Automático e Mau Feitio) servidos a bom ritmo.

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A carta tem uns 10 pratos e pratinhos e eu não vou esquecer quatro ou cinco deles. Absolutamente irrepreensíveis as miniaturas de foie gras, ceviche e churro. O linguado com ostra e esparregado é outra combinação fortíssima de mar e terra. Genial o interlúdio entre o peixe e a carne, com um caldo de legumes picante suavíssimo a funcionar como limpa palato. Depois, não houve cá carnes maturadas, nem outros clichés da alta cozinha. Spalk surpreendeu outra vez: faisão com amêndoa torrada, creme de bolbo de aipo e alperce, um prato absolutamente fabuloso, com execução de elevada dificuldade técnica.

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A cozinha de Spalk é sempre deliciosa (eventualmente com um ou outro elemento a mais, num ou noutro prato, mas sem chatear), de matriz europeia com um fundo subtil japonês, temperaturas e pontos de cozedura perfeitos e produtos de topo. Ou seja, alta cozinha sem a cagança protocolar do costume (não se perde tempo a provar o vinho, por exemplo, o que faz uma diferença incrível no ritmo da refeição).

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No final, os 70 euros do bilhete (bebidas incluídas) são uma bagatela, o melhor negócio gastronómico que vão conseguir na cidade neste momento.

Chegados aqui é preciso que se perceba que Lisboa não ganhou um restaurante. O espectáculo tem os dias contados: em Novembro acaba-se. Do que não há dúvidas é que temos chef. Guilherme Spalk demonstrou ter cultura, técnica e cabeça para se tornar num caso sério.

Sem padrinhos. Sem estrelas Michelin. Sem restaurante.

Aviso: O Homem que Comia Tudo foi convidado a assistir a este espectáculo, como jornalista e blogger, não lhe tendo por isso sido debitada a conta, circunstância que poderá ter tornado o seu espírito mais benevolente na escrita deste texto. Do que pôde observar, todavia, não foi alvo de qualquer tratamento diferenciado relativamente aos outros comensais. 

 

 

Até agora ninguém se queixou!

Era suposto ser um almoço tranquilo depois da praia num restaurante de estrada à saída do Meco, atolado de escaldões, camisolas de alça e mulheres maduras com tatuagens desbotadas.

Comecei por espreitar a vitrina de peixe e só vi carapaus amolgados e douradas importadas de uma linha de montagem no Chile. Como medida de segurança, optei pelas petingas fritas com arroz de tomate, prato do dia.

Passados 15 minutos, depois de dois bloqueios ao empregado no limite do cartão vermelho, eis que chega o couvert. Passados 35 minutos, finalmente, as petingas e o arroz. Mal poisaram na mesa, soltou-se um leve aroma a contentor do lixo da Amareleja no final de um dia de Agosto.

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