O caso Olivier

absurdo

Quem leu a imprensa especializada das últimas semanas pode ter achado que havia um novo fenómeno gastronómico na cidade. O Absurdo, mais um restaurante de Olivier, mereceu destaque de primeira divisão em quase todo o lado, do Público à GQ e à Time Out, passando pela NiT e pela Evasões, até a bloggers com muitos milhares de seguidores que depois vão ao Zomato completar serviço e enganar a malta.

Ora, sucede o seguinte. Aquilo é mau, muito mau. Fui lá no outro dia e não queria acreditar. Começa por o espaço ser pobrezito: como dizia um amigo que me arrastou para o desastre, tem inspiração de Pinterest foleiro e construção de cadeia de fast food. Quanto às sandes balançam entre a banalidade e a bosta.

Éramos três à mesa (às mesas, o restaurante estava vazio) , experimentámos três sandes e os três saímos desconsolados e tristes. Maus produtos, más receitas, mau sabor, brioches medíocres. Para se ter uma ideia, imagine-se um bitoque dentro de um pão de leite ou, pior, bacalhau com hummus dentro de pão de leite. Horrível, horrível.

Pergunto: como consegue Olivier sempre tanto noticiário e bajulação? Como consegue que se escrevam prosas de milhares de caracteres em todo o lado, todas elas cheias de histórias da carochinha sobre a maior isto, o mais aquilo…?

Eu digo-vos como é que ele consegue: com um jornalismo que deixou de ter filtro, deixou de ter tempo para pensar e deixou de ter força para se opor a pessoas que compram comunicação e publicidade a peso de ouro e que usam os outros truques todos (e são muitos e sofisticados) para calar e fazer escrever. Não é fácil parar isto. Já estive em posição de parar e nem sempre consegui.

Uma tristeza. Um absurdo.

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7 thoughts on “O caso Olivier

  1. Nunca fui a um dos Olivier! E ainda bem, que abomino o discurso do senhor, desde que em plena crise financeira disparou que os portugueses tinham vergonha de gastar 100 euros numa refeicao (ou parecido)…

    Ou que num programa de televisao se meteu a dizer que foi o inventor disto e daquilo, que antes dele usar um produto fancy nenhum chef em Portugal o fazia…
    Balelas…

    E depois tanto aparato com os restaurantes, de novo rico..

    Felizmente leio uma bela critica

    P.S. tem aqui um adepto do blog, que ontem descobri pelo MiguelPires

    cumps

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