Nem todos os maus nomes de estabelecimentos dão maus estabelecimentos

Há marcas com maus nomes que vingam. E quando vingam têm o valor acrescido de terem vingado apesar do mau nome. Não são muitas, mas há. Por exemplo, aquela discoteca com nome de sabonete, junto ao restaurante Bica do Sapato (outro nome duvidoso), em Lisboa. Ou aquele jornal diário com nome de vogal (a pior vogal de todas…). Ou aquela revista que sai à quinta-feira (e tem nome de dia da semana e esse dia da semana não é a quinta-feira).

No caso da restauração embirro particularmente com sítios chamados “Sabores” e derivados. E são muitos por esse país fora: Magia de Sabores, Delícia de Sabores, Bons Sabores, Sabor a Mar, Sabores da Terra.

Aqui em Alfarim, onde os Maia Felner terminam umas férias épicas, também há uma pastelaria com um mau nome: Segredos da Terra. Em anos anteriores, já tinha tropeçado na placa a anunciá-la mas, apesar do marketing, recusara a visita. Qualquer estabelecimento com a palavra “segredos” tende para o desastre. E se lhe juntarmos um cliché gastronómico podemos ter uma catástrofe.

Acontece que o dono de um estabelecimento pode ser um mau criador de nomes de estabelecimentos e um excelente pasteleiro. Foi isso que acabei por confirmar este ano, depois do meu sogro, pessoa com um apetite insaciável e experimentado, me ter convencido de que estávamos perante o caso.

Ainda praticamente só testámos os bolinhos miniatura e é tudo muito bom, com destaque para as “areias”, uma espécie de bolo seco mas que não é seco (a gente mete na boca e ele desfaz-se de forma delicada – manteigosamente) e para uma espécie de tarte de amêndoa mas sem base (só a amêndoa, finamente laminada e torrada, unida precariamente através da cola de açúcar). Tudo feito na casa.

Faltam os pesos pesados, nomeadamente os bolos de farinha torrada, especialidade da região, e uns montes de chantilly que por lá vi. Notícias em breve.

4 thoughts on “Nem todos os maus nomes de estabelecimentos dão maus estabelecimentos

  1. troca-se um desses bolos de farinha torrada por duas tabletes de chocolate e “um favo de mel a sério para os pequenos da Sílvia verem como é” (mãe dixit).

  2. Parece que o meu bom amigo estava mesmo tentado a meter o pé na poça. Vá lá, não sujou o verniz do sapatinho. E de Sabores da Terra – até estou desconfiado que já não pertence a Alfarim, mas sim a Caixas – esqueceu-se o meu bom amigo do saboroso pão que ali se amassa. Claro que só lá deve ter ido pela gula do açucar. Nas próximas férias, experimente, então, e com sorte até pode vê-lo sair do forno…

    • Camarada Carlos Filipe, vejo que continua atento. Há um estabelecimento no Meco e outro em Alfarim. Também já experimentei o pão que, sendo geralmente bom, não está ao mesmo nível da pastelaria, na minha opinião. Têm contudo uma bela broa de nozes e passas, julgo que com mistura de centeio. Para sua informação pessoal: não servem becas de bolo de bolacha. Passe bem e até já.

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