Alex Atala e os chefs nórdicos juntam-se à campanha insectívora “Em não havendo bife do lombo…”

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O chef Alex Atala e um grupo de chefs escandinavos vão unir esforços para espalhar os insectos na comida ocidental. A Velux Foudation anunciou há dias o financiamento de quase quatro milhões de euros ao Nordic Food Lab e à Universidade de Copenhaga para que investiguem nesta área e invistam em novas receitas insectívoras.

Alex Atala, do restaurante D.O.M, quarto classificado no concurso dos Melhores do Mundo, promovido pela revista Restaurant, em 2012, foi chamado a ajudar no projecto, visto ter já larga experiência entomofágica.

O Homem que Comia Tudo antecipou-se e deu já o seu contributo para o receituário e para a humanidade, com as estas tostas de grilo com pesto caseirinhas, em pão alentejano, testadas num artigo escrito para a revista Sábado. Bem boas.

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Javardice em 3 minutos

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Batatas com Chouriço

Almoço de hoje. Havia três batatas cozidas no frigorífico e havia um resto de um chouriço de Sousel, comprado na deli do mercado de Alvalade, sempre com excelentes enchidos portugueses.

Ingredientes:

  • 13 rodelas de chouriço
  • 3 batatas
  • 1 ovo

Cortar chouriço e batatas às rodelas, pôr frigideira ao lume, depois deitar-lhe um bom golpe de azeite. Deixar frigir. Quando as batatas estiverem ligeiramente alouradas, juntar um ovo e envolver tudo desordenadamente. Polvilhar com pimenta Cayenne ou Paprika e sal.

Mandados às Urtigas

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Eu e o Xico fomos apanhar urtigas ao Parque José Gomes Ferreira, uma das matas mais bonitas de Lisboa. As urtigas têm má fama, apesar de comestíveis. São uma espécie de carne de cavalo dos vegetais, e é bem provável que um dia alguém as descubra num esparregado congelado.

Aventurámo-nos nas zonas mais densas e interiores, procurando evitar a contaminação de cocó de cão. Colhemos uma dúzia de plantas e não foi pouco. Nesta altura do ano, as urtica dioica estão viçosas e altas como nunca, algumas acima da cintura.

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Rapidamente sentimos na pele a ferocidade da forragem espinhosa. Embora blindados com luvas para a neve, faca, tesoura, três camadas de roupa, uma das finas agulhas da folhagem penetrou as calças de ganga do miúdo, que se viu aflito. A reacção deve-se a um combinado químico complexo e venenoso, onde também há serotonina, histamina, e grandes concentrações de vitamina C e ferro.

Chegados a casa, mantivemo-nos de luvas. Primeira operação: arrancar as folhas (única parte comestível) e lavá-las bem em água fria. Só depois de lhes dar uma fervura podemos finalmente baixar a guarda: um minuto na panela e ficaram mirradas e inofensivas como uma pila no mar de Moledo.

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Metade foi para sopa, outra para esparregado. A sopa levou ainda batata, cebola e alho. Ficou saborosa e gomosa, espevitada com limão e cominhos no final. Talvez ganhasse com natas ou uma base menos pesada, de courgette. O esparregado, por seu lado, superou as expectativas. Alho, azeite, sêmola de milho, sal, pimenta, um jacto de vinagre e dois segundos na varinha mágica a terminar.

Ao contrário do que acontece em alguns restaurantes com três estrelas Michelin, que respigam vegetais na estepe escandinava e cobram 300 euros por pessoa, ninguém foi para o hospital. Ainda.